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Florianópolis, capital tecnológica: como o "boom tech" pressiona o mercado imobiliário

A economia da inovação — ACATE, Sapiens Parque, mais de 6.400 empresas de tecnologia — coincide com preços e aluguéis que crescem muito acima da inflação.

17 junho 2026
3 min de leitura
Florianópolis, capital tecnológica: como o "boom tech" pressiona o mercado imobiliário

Florianópolis deixou de ser apenas um destino de praia. Em pouco mais de uma década, a capital de Santa Catarina construiu uma economia da inovação que hoje é um dos principais motores do seu mercado imobiliário. A narrativa da "Ilha do Silício" tem números por trás — e esses números convivem com preços de imóveis que estão entre os mais altos do Brasil.

Um polo tecnológico com dados, não apenas com apelidos

Segundo o Observatório de Inovação da ACATE, a cidade alcançou cerca de 45.600 empregos formais em tecnologia em 2024, ante cerca de 26.800 em 2020: um crescimento de aproximadamente 70% em quatro anos, que coloca Florianópolis como a 4ª cidade do Brasil em emprego do setor, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O número de empresas de tecnologia passou de 2.029 (2018) para 6.433 (2024), e o setor representa cerca de 25% do PIB municipal (com base nos dados do IBGE de 2021, o último disponível).

O reconhecimento também é institucional: a Lei Federal 14.955/2024 declarou Florianópolis "Capital Nacional das Startups", com mais de 676 startups — cerca de 42% de toda Santa Catarina. O apelido de "Ilha do Silício" ou "Vale do Silício brasileiro" é um rótulo midiático; o título oficial é o da lei. Espaços como o Sapiens Parque, na SC-401, concentram centros de inovação, coworkings e sedes de tecnologia que organizam esse ecossistema.

Uma cidade que cresce — e atrai — rápido

O Censo 2022 do IBGE registrou 537.213 habitantes, um aumento de 27,5% em relação a 2010: uma das capitais brasileiras de crescimento mais rápido. Os dados censitários mostram que a maioria dos moradores já não nasceu na cidade, mas chegou atraída por sua economia e sua qualidade de vida. Essa migração — boa parte dela de profissionais qualificados e de alta renda — alimenta uma demanda sustentada por moradia.

O reflexo nos preços

O Índice FipeZAP+ fechou dezembro de 2025 com Florianópolis como a 2ª capital mais cara do Brasil para comprar, a R$ 12.773/m², apenas atrás de Vitória (R$ 14.108/m²). O preço de venda subiu +8,65% em 2025, acima da média das capitais e muito acima da inflação do período (IPCA +4,18%). No aluguel, a cidade foi a 3ª mais cara entre as capitais em 2024, com uma média de R$ 54,97/m² por mês e uma alta de +10,39% no ano, segundo o FipeZAP citado pelo CRECI-SC.

Vale uma leitura prudente: esses índices não isolam o setor tecnológico como causa da alta — eles medem preços de oferta do conjunto do mercado. O que os dados de fato mostram é uma forte coincidência temporal entre a expansão tecnológica, a chegada de população de alta renda e a pressão sobre preços e aluguéis. Para quem compra ou investe, a conclusão é prática: a demanda em Floripa tem um suporte estrutural que vai além do verão.

Fontes

  • Observatório de Inovação / ACATE — emprego e empresas de tecnologia em Florianópolis (2024).
  • Lei Federal 14.955/2024 — "Capital Nacional das Startups"; Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de SC.
  • IBGE — Censo Demográfico 2022, panorama de Florianópolis.
  • Índice FipeZAP+ — Relatório residencial (venda e aluguel), dezembro de 2025 e 2024.
  • CRECI-SC — Florianópolis entre os aluguéis mais caros do Brasil (dados FipeZAP).