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O poder de compra do comprador internacional em Florianópolis

Como o câmbio do real e os preços locais abrem uma janela de valor frente a Lisboa, Málaga, Miami ou Dubai.

07 julho 2026
3 min de leitura
O poder de compra do comprador internacional em Florianópolis

Há uma parte da equação imobiliária que o comprador local quase não percebe, mas que o internacional sente no bolso: o câmbio. Para quem chega com dólares, euros ou outra moeda forte, Florianópolis não tem apenas um preço em reais — tem um preço na sua moeda —, e esse preço ficou notavelmente mais acessível nos últimos anos. Vejamos com dados, e sem prever para onde vai o câmbio (isso ninguém sabe).

O real, mais fraco frente à moeda forte

A média anual do dólar passou de cerca de R$ 5,16 em 2022 para perto de R$ 5,59 em 2025, depois de tocar máximas acima de R$ 6,30 durante o ano. O euro se valorizou ainda mais contra o real: sua média anual subiu de R$ 5,40 em 2023 para R$ 6,31 em 2025. Na prática, um mesmo orçamento em euros comprava em 2025 bem mais reais do que dois anos antes. (Médias de mercado; convém reconfirmar qualquer cotação contra a PTAX do Banco Central antes de operar.)

O preço de Florianópolis, em reais e em moeda forte

Florianópolis é uma das capitais mais caras do Brasil — a segunda por preço de oferta residencial, segundo o índice FipeZap —, com uma média de R$ 13.106/m² em março de 2026 (preço de oferta, não de fechamento) e uma valorização de 8,2% no ano. Convertido em moeda forte pelas médias de 2025, esse valor equivale, de forma ilustrativa, a algo da ordem de USD 2.300–2.400/m² e EUR 2.050–2.150/m². É uma conta orientativa, não um índice publicado, mas serve para dimensionar a comparação a seguir.

A comparação que importa

Posto em moeda forte frente a outros destinos costeiros e de estilo de vida que atraem capital internacional, o número de Florianópolis se destaca:

  • Lisboa tinha média de cerca de €6.800/m² em meados de 2025 — algo como três vezes o valor por m² de Florianópolis em euros.
  • Málaga marcava perto de €3.620/m² no outono de 2025 (recorde histórico) — mais do que o dobro da Ilha.
  • Dubai girava em torno de USD 5.450/m² de mediana de apartamentos em junho de 2025.
  • Miami, em seu segmento de luxo de condomínios, apresentava uma mediana perto de USD 10.880/m² em 2025 — não é uma comparação equivalente à média da cidade, e sim uma referência da faixa premium.

A leitura é direta: para um comprador com moeda forte, Florianópolis oferece praia, segurança e qualidade de vida por uma fração do preço por m² desses mercados.

As letras miúdas: a valorização local joga contra o desconto

Uma ressalva honesta: parte da vantagem cambial é compensada pela valorização nominal do imóvel em reais, que em Florianópolis gira em torno de um dígito alto ao ano. Dito de outro modo, o desconto em moeda forte não é infinito nem permanente: é uma janela, não uma promessa. E como o FipeZap mede preços de oferta — que costumam correr acima dos de fechamento —, o valor efetivamente negociado tende a ser um pouco menor. Ainda assim, o ponto de partida segue favorável para quem olha de fora.

Fontes

  • Banco Central do Brasil (PTAX) e séries do exchange-rates.org / Banco Mundial — médias anuais USD/BRL e EUR/BRL 2022–2025.
  • FipeZap (Fipe / Grupo OLX) — preço de oferta residencial por m² de Florianópolis e variação no ano (março de 2026).
  • idealista, Investropa e imprensa imobiliária — preços por m² de Lisboa e Málaga (2025).
  • CondoBlackBook (Miami, segmento de luxo, 2025) e dxbinteract / mídia dos EAU (Dubai, junho de 2025).