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Por que sobe o que ainda não está construído: o CUB-SC, o INCC e o comprador "na planta"

O custo de construir define o preço de saída dos lançamentos e, na compra na planta, corrige o saldo mês a mês. Hoje a pressão vem sobretudo pela mão de obra.

15 junho 2026
2 min de leitura
Por que sobe o que ainda não está construído: o CUB-SC, o INCC e o comprador "na planta"

Quando se compra um apartamento em lançamento, o preço raramente fica parado até a entrega. A razão tem nome e sobrenome: o custo de construir. Dois índices — o CUB-SC e o INCC — governam boa parte dessa dinâmica, e vale entendê-los antes de assinar.

Dois índices que vale conhecer

O CUB-SC (Custo Unitário Básico) é publicado mensalmente pelo Sinduscon e é a referência padrão do custo de construir por metro quadrado em Santa Catarina — materiais, mão de obra, equipamentos e encargos sociais. Em maio de 2026, o CUB residencial médio ficou em torno de R$ 3.096/m², com uma variação mensal próxima de +1,05%. (Existem várias séries do CUB com metodologias distintas; convém não misturá-las.)

O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção, da FGV) mede a evolução desse custo em escala nacional. O INCC-M avançou +0,77% em maio de 2026 e acumulava cerca de +6,82% em doze meses, desacelerando frente a um ano antes.

A mão de obra, o fator que mais pesa

Um detalhe importante deste ciclo: o encarecimento já não vem tanto dos materiais quanto da mão de obra. Análises da FGV (Blog do IBRE) mostram que o grupo de trabalho respondeu pela maior parte da inflação de custos dos últimos doze meses medidos, com a mão de obra qualificada (pedreiros, eletricistas) liderando as altas. É uma pressão mais estrutural — e mais lenta de aliviar — do que uma alta pontual de commodities.

Como isso chega ao comprador

O custo de construção alcança o comprador por duas vias:

  • Preço de lançamento. A incorporadora define o preço de saída a partir de sua base de custos; se o CUB e o INCC sobem, o ponto de partida dos novos projetos sobe junto.
  • Correção "na planta". Na compra na planta, os contratos brasileiros corrigem o saldo e as parcelas pelo INCC a cada mês durante a obra, até a entrega. Após receber as chaves e formalizar o financiamento bancário, a correção costuma passar para outro índice (IPCA ou TR) mais juros.

A leitura para o comprador não é alarmista, mas de planejamento: em um ambiente de custos em alta, comprar na planta pode fazer sentido pelo preço de entrada e pelas formas de pagamento, mas é preciso orçar a correção pelo INCC até a entrega, e não apenas o valor do dia da assinatura.

Fontes

  • Sinduscon-Grande Florianópolis — CUB-SC, valores de maio de 2026.
  • FGV/IBRE — INCC-M, variação mensal e acumulada (maio de 2026).
  • FGV — Blog do IBRE, protagonismo do custo da mão de obra na construção (2025).
  • CBIC — cenário da construção 2026 (crescimento e custos).
  • Índice FipeZAP — preço residencial de Florianópolis (2026), como contexto de mercado.