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Construção sustentável em Florianópolis: energia solar, certificações e valor

Solar distribuída, a Lei 14.300, as certificações verdes e o que a evidência diz sobre o valor de um imóvel eficiente.

20 junho 2026
3 min de leitura
Construção sustentável em Florianópolis: energia solar, certificações e valor

A eficiência deixou de ser um detalhe de marketing para virar fator de custo e de valor no imóvel. Em Santa Catarina, onde o inverno se faz sentir e as tarifas de energia sobem, a conversa é bem concreta.

Solar: Santa Catarina e Florianópolis na liderança

O Brasil fechou 2025 com cerca de 64 GW de capacidade solar acumulada — em torno de 24,5% da matriz elétrica. Santa Catarina está entre os estados líderes, com cerca de 1,4 GW de geração distribuída e mais de 113.000 conexões (abril de 2025), e Florianópolis lidera o ranking municipal de geração distribuída, com mais de 800 MW instalados. O reajuste de tarifas da Celesc de 13,53% em agosto de 2025 reforça o atrativo de gerar a própria energia.

A Lei 14.300 e o "Fio B"

A Lei 14.300/2022 (marco legal da micro e minigeração distribuída) formalizou o sistema de compensação e introduziu uma cobrança gradual sobre o componente de distribuição da energia injetada na rede (o "Fio B"): 45% em 2025, 60% em 2026 e crescendo até 2029. Os sistemas com pedido de conexão até 6 de janeiro de 2023 mantêm as regras anteriores até 2045. Para quem instala hoje, o payback típico citado pelo setor gira em torno de 3 a 5 anos, ainda que a transição venha alongando esse prazo.

Certificações e etiquetagem

Em 2024 o Brasil certificou 125 projetos LEED (mais de 2 milhões de m²), liderando a América Latina em número de projetos. Convivem três selos: LEED (Localização, Energia, Água, Materiais, Qualidade do ar interno; níveis Certified a Platinum), AQUA-HQE da Fundação Vanzolini — com o programa residencial Selo AQUA — e EDGE do IFC, que exige pelo menos 20% de economia em energia, água e energia incorporada nos materiais. No âmbito federal, a etiqueta ENCE do PBE Edifica (Inmetro) classifica de A a E pelo método INI-R desde 2024.

Agrega valor?

A evidência mais rigorosa é internacional: estudos dos Estados Unidos atribuem aos edifícios LEED cerca de 25% menos consumo de energia e custos de manutenção mais baixos. No Brasil, os percentuais de "prêmio verde" no preço aparecem em matérias do setor, mas não em estudos primários, então convém tratá-los como estimativas. O que de fato está medido é a demanda: uma pesquisa de 2024 mostrou que 29% dos compradores nas principais capitais pagariam mais por um imóvel com certificação ambiental.

Incentivos locais

Florianópolis oferece o "IPTU Sustentável" (até 5% de desconto) por critérios como reúso e captação de água da chuva e medição individual — a energia solar não está entre os critérios listados. No âmbito estadual, a Lei 18.821/2024 exige sistemas de captação de água da chuva em certos empreendimentos.

Fontes

  • ABSOLAR — capacidade solar do Brasil 2025; Governo de SC / ANEEL — geração distribuída em Santa Catarina.
  • Lei 14.300/2022 (Planalto); ANEEL — transição do "Fio B".
  • GBC Brasil / USGBC — ranking LEED 2024; Fundação Vanzolini — AQUA-HQE; IFC — EDGE.
  • Inmetro / PBE Edifica — etiqueta ENCE e INI-R (Portaria Inmetro 309/2022).
  • USGBC — benefícios dos edifícios verdes (EUA); Offerwise — pesquisa de demanda 2024.
  • ANEEL/Celesc — reajuste tarifário de agosto de 2025; Prefeitura de Florianópolis — IPTU Sustentável.