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Os argentinos (e sul-americanos) que escolhem Florianópolis: por quê, o que buscam e como compram

Da praia ao apartamento: uma relação de setenta anos que hoje também é investimento imobiliário.

07 agosto 2026
2 min de leitura
Os argentinos (e sul-americanos) que escolhem Florianópolis: por quê, o que buscam e como compram

Uma relação de setenta anos

O vínculo entre a Argentina e Florianópolis não é novo: o turismo argentino à ilha remonta aos anos 50, quando a companhia aérea catarinense TAC promovia a região do outro lado do Rio da Prata. Três razões o sustentam até hoje: a proximidade (um voo de cerca de duas horas), as praias quentes e calmas do norte da ilha, e uma taxa de câmbio historicamente favorável. Canasvieiras — junto a Jurerê e Ingleses — tornou-se o território mais argentino da costa catarinense.

O mercado estrangeiro número um

Os números de turismo o confirmam. Em janeiro de 2026, os argentinos representavam cerca de 81% de todos os visitantes estrangeiros de Santa Catarina, segundo a Fecomércio-SC, mesmo com sua participação tendo caído em relação ao verão anterior (em Florianópolis, de 39% para 24% dos visitantes). Argentina, Chile e Uruguai foram as três principais origens do turismo internacional do estado em 2025. E a conectividade acompanha: o aeroporto de Florianópolis superou pela primeira vez o milhão de passageiros internacionais em 2025, com Santiago do Chile (cerca de 443.000) e Buenos Aires (cerca de 338.000) como rotas líderes. O fluxo estrangeiro já é pan-americano, não apenas argentino.

Do aluguel de verão ao investimento

Esse turismo longo amadureceu em compra. A via mais comentada é o estúdio na planta: unidades compactas, adquiridas como investimento para revender ao finalizar a obra, em praias como Canasvieiras, Ingleses, Jurerê e, cada vez mais, Praia do Rosa. Convém um esclarecimento importante: não existe uma estatística oficial de compradores por nacionalidade. Quando uma imobiliária reporta, por exemplo, que a maioria de suas vendas na planta foi para argentinos, é a foto de sua carteira, não do mercado inteiro. E como muitos desses estúdios custam menos do que o milhão de reais que exige a residência por investimento (regra do CNIg), a maioria compra para investir, não para se radicar.

Argentinos e russos: duas ondas, motivos opostos

É útil contrastá-los com a outra onda visível, a russa. Os argentinos são uma corrente antiga, grande e cíclica com o peso e o real, que compra para alugar e revender. Os russos são uma corrente nova e muito menor em números absolutos (cerca de mil vistos desde 2021, concentrados em Ingleses), mas que compra para viver e garantir mobilidade. Ambos alimentam o mesmo circuito de estúdios na planta, por razões inversas: rentabilidade frente a realocação.

Fontes

  • Fecomércio-SC — participação e gasto do turismo argentino (verão 2025 e 2026).
  • Governo de SC / Floripa Airport — recorde de passageiros internacionais 2025 (Santiago, Buenos Aires).
  • IBGE — Censo 2010 (argentinos, maior grupo estrangeiro residente em Florianópolis).
  • CNIg — residência por investimento imobiliário (R$ 1 milhão); imprensa (CartaCapital, SpaceMoney) para o perfil de compra.
  • OBMigra — comunidade russa em Florianópolis (contexto comparativo).